Intervenção de Ilda Figueiredo – Apresentação da candidatura da CDU à Câmara Municipal do Porto

Estimados convidados, amigos e camaradas

Saúdo e agradeço a presença de todos aqui neste momento de grande significado e alegria para mim e que muito me honra.

Agradeço aos meus camaradas do PCP e aos companheiros do PEV a confiança que me deram ao indicar-me para candidata à presidência da Câmara Municipal do Porto, num momento particularmente difícil da vida da cidade e do país, que requer uma intervenção ainda mais empenhada na resposta prioritária e urgente aos problemas dos moradores especialmente atingidos pela crise sanitária, económica e social que vivemos e a concretização de um projeto de cidade inclusiva. 

Chegamos aqui com um caminho percorrido de intenso diálogo com a cidade na sua múltipla diversidade. Ao longo deste mandato multiplicamos visitas, reuniões, audições diversas que deram origem a requerimentos, propostas e recomendações tendo por base a concretização dos compromissos eleitorais assumidos há quatro anos e pela reafirmação da prioridade na defesa dos interesses das populações, dos trabalhadores, dos serviços públicos e do poder local democrático, numa ligação estreita com os moradores e as organizações sociais existentes, incluindo o movimento associativo popular, numa atenção permanente às suas  justas reivindicações e lutas, tendo conseguido a aprovação e a concretização de algumas mudanças e apoios que, apesar de muito insuficientes, melhoraram um pouco a situação de moradores, associações e trabalhadores, incluindo da autarquia. 

São exemplos, a criação do fundo municipal de apoio ao associativismo popular e a linha de emergência, a redução de IMI para os moradores em casa própria e a isenção para as habitações das Associações de Moradores, as propostas na defesa da dinamização desportiva e cultural, do património e de equipamentos diversos, a redução do horário de trabalho para as 35 horas dos trabalhadores da EM Águas do Porto, as propostas de reabilitação de habitações e de património, a defesa de equipamentos coletivos e de valências sociais públicas, a reabilitação de espaços públicos e de ajardinamentos, a melhoria de circulação, mobilidade, segurança rodoviária e iluminação pública, a redução, durante a pandemia, de rendas para os comerciantes em equipamentos municipais situados nos bairros, a perseverante insistência na defesa dos moradores sobretudo nas zonas mais carenciadas mas também na defesa da cidade e do seu património contra a especulação imobiliária.

Ao ver, ouvir, dialogar e refletir sobre a evolução do Porto, na zona histórica com a sua carga milenar, mas também noutras zonas mais periféricas onde os problemas e carências se arrastam de ano para ano, não esquecemos nunca que as pessoas são a alma do Porto e que a sua identidade foi construída, ao longo dos séculos, pelas suas gentes, que não podem continuar a ser empurradas para fora da cidade, como aconteceu nos últimos anos da especulação imobiliária que precedeu a crise pandémica, perante a passividade da maioria municipal de Rui Moreira, que foi rejeitando até ao limite as propostas da CDU para travar a situação especulativa.

Na intervenção permanente da CDU e dos seus eleitos tem estado presente a defesa que fazemos de uma cidade mais coesa, com um desenvolvimento urbano policêntrico, eliminando fatores de estigmatização, integrando bairros sociais e operários, “ilhas” e urbanizações numa cidade dinâmica, onde as pessoas e suas organizações possam dispor de equipamentos coletivos de proximidade e diversificados, que ajudem a cerzir as feridas da cidade, procurando preservar a sua identidade cultural, urbanística e arquitetónica, qualificando e valorizando os seus tecidos urbanos e os seus recursos materiais e imateriais, sempre em diálogo com os moradores.

Ao longo do mandato procuramos não esquecer, em momento nenhum, as pessoas que aqui vivem e trabalham, construíram as suas vidas, o seu comércio, a sua arte, as suas associações, e aqueles que nos deixaram a sua obra na escrita, nas artes plásticas, na música, no teatro, na dança, nas diversas festas populares, no património. 

A cidade do Porto tem profundas tradições de luta pela liberdade e democracia, pela participação popular, com marcos históricos que anteciparam revoluções, pelo trabalho com direitos e habitação condigna, por serviços públicos essenciais, pela cultura e pelo desporto, e, mais recentemente, pela ciência, investigação e inovação. 

A atenção dispersa a algumas destas áreas, não é a matriz que se precisa para a cidade inclusiva que queremos. A cidade que queremos exige um planeamento integrado e uma intervenção eficaz em todo o território e com a participação de toda a comunidade, não esquecendo os que aqui viveram e trabalharam, os lugares de memória e de lutas que ajudaram a construir a cidade, incluindo a mobilização que impediu a venda do Coliseu e a sua desfiguração, e que obrigou a autarquia do Porto e o Ministério da Cultura a intervir para defender esta casa histórica fundamental para a cultura da cidade e da região.

Mas que também não pode esquecer as carquejeiras, os marceneiros ou taberneiros, as costureiras e casas onde viveram escritores e poetas como Almeida Garrett, Gomes Ferreira ou Eugénio de Andrade, defendendo a sua integração numa rede que inclua os lugares e mem