STCP SERVIÇOS: “Rebranding” e reconfiguração estatutária não respondem aos problemas da mobilidade no Porto
A anunciada mudança de nome e marca da STCP Serviços, a par da alteração dos seus estatutos no quadro da sua transformação numa “empresa pública de mobilidade” da cidade do Porto, levanta mais dúvidas do que respostas. O executivo Municipal de Pedro Duarte avançou com uma STCP Serviços exclusiva da cidade do Porto, fazendo depender em exclusivo do município a administração e o governo da sociedade.
A questão central não está no nome que lhe queiram dar, mas sim na falta de esclarecimento sobre o que o executivo municipal pretende realmente fazer: que competências terá esta empresa, que meios lhe serão atribuídos, que custos envolverá esta operação, que funções passará a concentrar e que articulação existirá com a STCP, com a Metro do Porto e com o restante sistema de mobilidade. A própria notícia refere que a STCP Serviços assegura hoje funções ligadas à gestão de infraestruturas e equipamentos de mobilidade, incluindo o Terminal Intermodal de Campanhã, parques de estacionamento e matérias de fiscalização do estacionamento.
Em vez de esclarecer estes aspetos fundamentais, a Câmara avança para uma operação de reposicionamento institucional e de imagem, centrada em mudança de nome, marca e identidade, agora acompanhada de uma reconfiguração estatutária, sem demonstrar em que medida isso serve a cidade e a população. Esta opção diz muito sobre as prioridades do atual executivo municipal. Quando o Porto enfrenta problemas reais de mobilidade e precisa de mais transporte público, melhor oferta, melhor articulação entre modos, melhores condições de operação e resposta mais eficaz às necessidades de quem vive e trabalha na cidade, a Câmara escolhe anunciar rebrandings, reorganizações e operações político-comunicacionais.
O problema está também no sentido político deste caminho. Em vez de apontar para uma lógica de reforço da STCP enquanto operador público estruturante, dos seus meios, da sua capacidade de resposta e do seu papel central no sistema de mobilidade, o executivo insiste em soluções assentes na autonomização de funções, na reorganização de estruturas e na compartimentação de responsabilidades.
Sendo a STCP Serviços uma empresa instrumental, a transformação agora anunciada exige por isso redobrada clareza. O que importa saber não é apenas o nome que lhe querem dar, mas para que servirá, que funções concentrará, que meios terá e em que medida esta opção contribui efetivamente para melhorar a mobilidade na cidade. Sem esse esclarecimento, esta operação arrisca traduzir-se apenas em mais confusão institucional, mais propaganda e mais preocupação com estruturas e cargos do que com a melhoria da vida dos portuenses.
Porto, 17 de Março de 2026
A CDU – Coligação Democrática Unitária da Cidade do Porto








