AVENIDA DA BOAVISTA: fim da mobilidade suave e mais uma decisão avulsa da Câmara

O Metrobus na Avenida da Boavista surgirá tarde e confirma as fragilidades de um projeto que nasceu sem visão integrada para a mobilidade da cidade. Desde o início, a CDU alertou para a falta de planeamento estratégico e para a ausência de debate sério sobre alternativas, bem como o seu impacto na circulação numa via com esta importância.

A Avenida da Boavista tinha uma ciclovia integrada na circulação automóvel. Uma solução com problemas, mal resolvida em vários aspetos, mas que existia e assegurava a presença de mobilidade suave naquele eixo estruturante da cidade. Com as obras do Metrobus e a remodelação da via, essa infraestrutura desapareceu.

A proposta agora apresentada — uma simples via partilhada, assente em sinalização e limite de 30 km/h — representa, na prática, o fim da mobilidade suave na Avenida da Boavista enquanto opção minimamente estruturada e protegida.

Esta proposta não corrige os erros da solução anterior, agrava-os, colocando bicicletas, trotinetes e automóveis a partilhar uma artéria com tráfego intenso, múltiplos cruzamentos, entradas laterais constantes e elevada complexidade rodoviária, aumentando o risco para todos os utilizadores.
Depois de anos de discussão e de tempo mais do que suficiente para estudar soluções sérias, o Município opta por uma resposta mínima, que evita assumir decisões estruturais sobre prioridades no espaço público.

Se o anterior executivo teve tempo para planear e não o fez, o actual executivo, que está à mais de cem dias em funções, não pode invocar heranças nem falta de tempo para justificar uma solução tão frágil quanto insegura.

Acresce que esta decisão é tomada de forma unilateral pela Câmara Municipal do Porto, sem que seja conhecida qualquer estratégia de integração com uma rede ciclável coerente à escala da cidade e sem qualquer consulta a associações, movimentos e entidades que têm intervindo de forma consistente no debate sobre mobilidade no Porto.

É mais uma decisão avulsa sobre a vida quotidiana de milhares de pessoas, tomada sem ouvir as forças vivas da cidade, sem envolver os eleitos nos órgãos municipais e ignorando propostas concretas apresentadas por forças políticas, como a CDU.

Este método é mau augúrio. A tomada de decisões estruturantes sem debate, sem participação e sem integração numa estratégia global enfraquece a qualidade das soluções e a confiança na governação municipal.

A Avenida da Boavista exige uma reavaliação global do seu perfil viário, definição clara de prioridades, soluções tecnicamente fundamentadas e condições reais de segurança para todos os utilizadores. O que se impõe é uma visão estratégica, e não uma política de “faz-de-conta”.

A CDU continuará a intervir para que o Porto tenha soluções sérias, participadas e orientadas para o interesse público — e não expedientes improvisados apresentados como inovação.

Porto, 27 de Fevereiro de 2026
 A CDU – Coligação Democrática Unitária da Cidade do Porto

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